Essa é a primeira pergunta de praticamente todo gestor que considera contratar uma apólice cyber — e a que quase ninguém responde com clareza. A resposta honesta é que não existe preço de tabela, mas existe uma lógica de precificação bem definida. Entendê-la permite estimar sua faixa antes mesmo de pedir a primeira cotação.
A resposta curta: uma taxa sobre o limite contratado
O prêmio do seguro cibernético é calculado como uma taxa anual aplicada sobre o Limite Máximo de Indenização (LMI) contratado. No mercado brasileiro, essa taxa costuma variar entre 0,8% e 2% ao ano, conforme o perfil de risco da empresa.
Na prática: uma empresa que contrata R$ 1 milhão de limite e recebe taxa de 1,2% pagaria cerca de R$ 12 mil de prêmio anual. A mesma empresa, com controles de segurança frágeis ou histórico recente de incidente, pode ver essa taxa dobrar — ou ter a cotação simplesmente recusada.
Os seis fatores que movem o preço
- Faturamento anual. É a base de exposição. Quanto maior a receita, maior o prejuízo potencial de uma parada operacional.
- Setor de atuação. Saúde, financeiro, e-commerce e educação pagam mais — concentram dados sensíveis e são alvos preferenciais.
- Limite Máximo de Indenização. Quanto maior o limite, maior o prêmio — mas a relação não é linear. Dobrar o limite raramente dobra o preço.
- Franquia. Franquia mais alta reduz o prêmio. O ponto de equilíbrio é quanto de caixa a empresa consegue absorver sozinha em um incidente.
- Maturidade de segurança. É aqui que o preço realmente se decide.
- Histórico de sinistros. Um incidente nos últimos 24 a 36 meses pesa fortemente na subscrição.
O que efetivamente reduz o prêmio
As seguradoras não avaliam intenção — avaliam controle implementado e comprovável. Os itens que mais aparecem no questionário de subscrição e mais movem a taxa final são:
- MFA em acessos administrativos, VPN e e-mail corporativo
- Backup segregado e testado — com restauração comprovada, não apenas agendada
- EDR ou XDR em endpoints e servidores
- Gestão de acessos privilegiados e remoção de contas órfãs
- Plano formal de resposta a incidentes
- Política de aplicação de patches com prazos definidos
Empresas sem MFA e sem backup offline hoje enfrentam recusa direta em boa parte das seguradoras. Não é uma questão de pagar mais caro — é ficar fora do mercado. Por outro lado, cada controle implementado antes da cotação se traduz em taxa menor, o que significa que investimento em segurança se paga parcialmente no próprio prêmio.
O erro mais comum ao comparar cotações
Comparar apenas o prêmio. Duas apólices com preço parecido podem ter sublimites completamente diferentes para as coberturas que mais importam: resposta a incidente, extorsão cibernética (ransomware), interrupção de negócios e multas de LGPD.
Uma apólice com LMI de R$ 1 milhão, mas sublimite de R$ 100 mil para resposta a incidente, cobre muito menos do que aparenta na capa. A comparação útil é feita cobertura por cobertura, não pelo número final.
Vale checar também a rede de prestadores acionável pela seguradora. Em um ransomware, a diferença entre uma resposta forense que começa em duas horas e uma que começa em dois dias é medida diretamente em faturamento perdido.
O mercado está mais acessível do que em 2022
Depois do pico de sinistralidade de 2020 e 2021, os prêmios subiram forte e a subscrição endureceu em todo o mundo. O ciclo virou: com mais seguradoras atuando no Brasil e maior maturidade na precificação, as taxas recuaram em relação ao topo.
O volume confirma a tendência. A arrecadação de seguro cibernético no Brasil alcançou R$ 73,6 milhões até fevereiro de 2026, alta superior a 185% frente ao mesmo período do ano anterior. Ainda assim, menos de 40% das empresas brasileiras contam com cobertura específica para riscos cibernéticos.
Compare com o custo de não ter
Levantamentos do mercado segurador apontam, para PMEs brasileiras, custos de recuperação técnica entre R$ 80 mil e R$ 500 mil, notificação obrigatória aos titulares de dados entre R$ 20 mil e R$ 100 mil, e multa de LGPD de até 2% do faturamento, limitada a R$ 50 milhões por infração. O custo total médio de um incidente fica na faixa de R$ 250 mil a R$ 1,5 milhão.
Contra esse cenário, um prêmio anual na casa de cinco dígitos muda de categoria: deixa de ser linha de despesa e passa a ser item de continuidade do negócio.
Como chegar ao seu número
- Estime sua exposição real: faturamento mensal multiplicado pelos meses de parada toleráveis, mais o volume de dados pessoais tratados
- Faça um diagnóstico honesto de maturidade de segurança, antes que a seguradora faça por você
- Corrija os controles críticos que derrubam a taxa — MFA e backup testado à frente
- Cote com múltiplas seguradoras e compare sublimites, não apenas o prêmio
- Revise a apólice anualmente, acompanhando o crescimento da operação
A Cyber Insurance foi criada por profissionais de segurança da informação — o que significa que a análise da sua cotação começa pelo risco técnico real, não pelo formulário. Se você quer saber quanto custaria a apólice adequada ao perfil da sua empresa, fale com nossa equipe e peça uma cotação.
As faixas de valores citadas são referências de mercado e servem para orientação. O prêmio efetivo depende de análise individual de risco realizada pela seguradora.